Um estudo realizado em 2018 pela Confederação Nacional da Indústria — “Indústria 4.0 e Digitalização da Economia” — estima que, caso o Brasil mantenha a taxa média de crescimento do Produto Interno Bruto registrada na última década (1,6%), levará mais de meio século para alcançar o PIB per capita dos países desenvolvidos. Para reduzir esse prazo, a entidade calcula a necessidade de, no mínimo, dobrar o PIB brasileiro nos próximos anos. Para que isso aconteça, é necessário ampliar – ou, pelo menos, não reduzir – o potencial de expansão da indústria.

“A indústria tem o poder de estimular outros setores, além de ser um dos principais agentes da inovação tecnológica”, diz o estudo. A solução para conseguir alcançar essa meta passa indiscutivelmente pelo avanço da Indústria 4.0. Também chamada de Manufatura Avançada, Indústria do Futuro e Fábrica Inteligente, a Indústria 4.0 se caracteriza pela integração dos processos de produção com o ambiente virtual, por meio de modernas tecnologias, como:

  • Comunicação Máquina-Máquina
  • Big Data
  • Internet das Coisas
  • Inteligência Artificial
  • Armazenamento em Nuvem
  • Robótica Avançada

“O desenvolvimento da Indústria 4.0 tem sido fundamental nas estratégias de empresas líderes e na política industrial das principais economias desenvolvidas. A incorporação de tecnologias digitais é essencial para o aumento da produtividade e, consequentemente, para o crescimento do país”, alerta a CNI.

Quem visitou a Feimec (Feira Internacional de Máquinas e Equipamentos), em abril de 2017, pôde constatar o quanto a evolução das plantas fabris para os conceitos da Indústria 4.0 é viável. O Demonstrador de Manufatura Avançada em operação naquela feira foi desenvolvido pela ABIMAQ e um grupo de parceiros públicos e privados — entre eles a SMC — em apenas três meses, com equipamentos e sistemas disponíveis no Brasil e acessíveis a todos os segmentos.

Como funciona essa estrutura digital de automação

O funcionamento básico da estrutura digital de automação tem como premissa a troca de dados em tempo real entre todos os componentes da rede e a utilização do sistema para tomada de decisões.

  • No campo, o controle e o sinal são distribuídos com processamento e análise de dados local
  • Em relação à conectividade, todos os dispositivos devem permitir uma camada horizontal de dados, formando uma conexão inter-operável
  • O sistema possui uma Cloud Local, com serviços de controle, supervisão e tomada de decisões centralizados
  • Um Backbone conecta toda a cadeia de valor da indústria
  • O Cloud externo utiliza-se de serviços de Inteligência Artificial, interagindo na cadeia produtiva

Entre os benefícios esperados com o novo modelo de automação para a Indústria 4.0, estão:

  • Flexibilizar a produção, através de controles distribuído e centralizado na camada de Cloud
  • Simplificar a camada de comunicação, com uso de protocolos e interfaces abertas (OPC-UA e MQTT)
  • Tomada de decisões (mineração de dados e aprendizado de máquina) localmente (EDGE e FOG)
  • Utilizar o Cloud Externo somente sob demanda
  • Aplicar Inteligência Artificial na operação e manutenção, com foco em operador supervisor e manutenção por prognósticos

 

O que vem pela frente

O modelo produtivo evoluiu ao longo do tempo, alterando o perfil da produção que, no início, só tinha a visão da planta local e seu processo unitário. Com a automação industrial e redes de informação, passamos a conectar o planejamento e gestão na produção, tendo um contexto maior da planta, mas ainda limitado ao processo local.

Já com a Indústria 4.0 e as redes convergentes, o modelo produtivo passa a ser o próprio modelo de negócios, uma vez que a conexão é de toda cadeia produtiva que orbita no ecossistema da empresa.

Podemos dizer que hoje a Indústria 4.0 já não é mais só um conceito. É uma realidade, que prevê equipamentos e sensores operando por toda a fábrica, gerando dados em tempo real e ajudando assim para que as decisões sejam feitas de forma mais rápida, prática e eficaz. Para isso, sua arquitetura de produção deve ser inter-operável, flexível e descentralizada, com impactos diretos na escala produtiva, na mão de obra e na tomada de decisões.

Há um longo caminho para o nosso país percorrer na corrida dos mercados mundiais. Somente com inovação — e as soluções propostas pela Indústria 4.0 — o Brasil poderá alcançar o crescimento esperado.